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Ser solopreneur vale a pena?

há 2 dias
4 min de leitura
Solopreneur, empreendedor

Faz quase 8 anos que deixei o mundo corporativo para empreender sozinho, como solopreneur.

De lá para cá, ouço essa pergunta do título com frequência, principalmente de executivos que começam a pensar no seu próximo capítulo.

A minha resposta é sim, com certeza! E, se quando comecei ela ainda pedia alguma "cara e coragem", hoje, com a IA, ficou bem mais fácil de dar esse passo.

Vale o disclaimer de que minha resposta nasce da minha história e das minhas expectativas, e isso muda muito de pessoa para pessoa.

Compartilho aqui o que mais me surpreendeu e algumas dicas que aprendi no caminho, esperando que sejam úteis para você.

Começo pelo que eu mais temia. Quem passa décadas numa grande empresa se acostuma a ter uma estrutura por trás: alguém cuida da contabilidade, faz as vendas, revisa o contrato. Quando você sai desse mundo, tudo isso passa a ser sua atribuição.

Abrir a empresa, emitir notas fiscais, controlar o financeiro, prospectar clientes, preparar propostas, manter as planilhas. Eu imaginava que essa parte seria chata e pesada.

Mas como encarei cada tarefa como um aprendizado, isso acabou sendo bem menos "pesado" do que eu esperava. E olha que isso foi antes da IA. Hoje, ela faz boa parte do meu trabalho de backoffice: monta propostas, organiza planilhas, estrutura apresentações, tira dúvidas, faz pesquisas, aprimora meus serviços. Se o operacional é o que mais te assusta nessa transição para solopreneur, hoje eu não daria a ele tanto peso na decisão.

A surpresa maior, porém, veio de outro lugar. Eu vinha de uma carreira tradicional e consistente, liderando o marketing de grandes empresas, e nunca tinha percebido o quanto gostava de experimentar alternativas e de mudar de rota.

Trabalhando por conta própria, eu pude reinventar e redesenhar meu negócio inúmeras vezes, rapidamente testando ideias, voltando atrás e tentando outras. Isso foi uma delícia.

Só como referência da diversidade de meus experimentos nesses anos: fui consultor de estratégia, marketing e inovação; advisor de empresas de consultoria de todos os portes; facilitador de grupos de CEOs; sócio e diretor geral de uma agência de publicidade; desenvolvi produtos de tecnologia, NFTs, e-commerce; prestei serviços de mentoria e coaching para centenas de líderes distintos, de startups a grandes empresas; liderei workshops de inovação e cultura; criei cursos digitais, websites, podcasts, webinars e newsletters; treinei grupos de líderes; e busquei meu próprio aprendizado contínuo em inúmeras áreas, incluindo coaching executivo, IA e conselhos de administração.

Nem tudo deu certo, e nem precisava dar. Cada experiência me mostrou onde eu tinha mais afinidade e onde gerava mais valor. Esse, aliás, virou o meu principal KPI em qualquer formato: o valor que consigo gerar para quem me contrata. E aprendi mais nesses 8 anos do que nos 15 anos anteriores.

Muitas dessas rotas levaram meses para serem testadas. Hoje, boa parte desses testes caberia em poucos dias ou semanas, com o apoio da IA. Experimentar ficou mais ágil, barato e certeiro, e isso muda muito a conta de quem está pensando em empreender solo.

Uma das rotas que testei foi ter uma equipe própria. Gosto de trabalhar com pessoas, e parecia o passo natural para crescer. Na prática, os custos com salários e encargos foram maiores do que eu previa, e a produtividade ficou abaixo do que eu desejava. Percebi que estava gerando mais tensão do que satisfação, e voltei a trabalhar sozinho (com forte suporte da IA).

O lado social não se perdeu. Hoje ele vem das interações com clientes, parceiros e demais pessoas do meu ecossistema, num trabalho muito mais rico e plural do que eu imaginava.

Agora, nem tudo foi fácil, e há áreas onde a IA ajuda menos. A venda de serviços B2B leva tempo: a conversão é lenta e exige muitas interações e consistência até virar contrato.

E meus muitos contatos da vida corporativa foram menos receptivos do que eu esperava. Tive de construir uma rede nova, em vez de contar com a antiga. A IA prepara você melhor para cada reunião, mas a confiança ainda se constrói uma conversa de cada vez.

Tem ainda a questão do risco. Tive uma carreira corporativa consistente, da qual me orgulho, e sei que, embora ela tivesse riscos, empreender sozinho traz outros tipos de riscos e incertezas. No meu caso, ter alguma reserva financeira me ajudou muito: sem pressão imediata para acertar de primeira, eu pude testar, voltar atrás e tentar de novo. Recebi propostas para voltar ao corporativo nesse período, agradeci e segui no meu caminho.

O que mais me ajudou, no fundo, foi uma pergunta que faço até hoje antes de cada experimento: que mal há? Ou: o que de pior pode acontecer?

Quase sempre, o pior cenário que a gente imagina não acontece, e é justamente ele que nos impede de tentar. Aprendi a arriscar mais, a me divertir na jornada e a não ter vergonha de tentar coisas bem diferentes do que eu fazia antes. Com a IA, essa pergunta ficou ainda mais fácil de responder, porque errar ficou mais rápido, mais barato e mais fácil de corrigir.

Se começasse hoje, faria algumas coisas de outro jeito. Planejaria melhor os cenários que queria testar, em ordem de prioridade, com um prazo e um critério claro para decidir se seguia ou abandonava cada rota.

Conversaria com mais gente que já passou por caminhos parecidos, em vez de tirar quase tudo da minha própria cabeça. E usaria a IA desde o primeiro dia, no planejamento, na criação, na comunicação, nos processos, nos produtos e serviços.

Então, ser solopreneur vale a pena? Para mim, valeu, e continua valendo muito. Para você, a resposta vai depender do seu momento, do que espera dessa nova fase, do quanto gosta de experimentar coisas novas e aprender. O que mudou hoje com a IA é que a dúvida sobre dar conta de tudo sozinho pesa bem menos do que pesava quando comecei.

Se você está considerando esse movimento e quiser o apoio de um mentor para desenhar sua própria trajetória, entre em contato.

 
 
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