top of page

Pensamento crítico não se terceiriza

9 de out.
2 min de leitura
Questionando a IA

"Sim, você tinha razão em desconfiar." Quantas vezes por semana você lê essa frase na sua IA preferida, logo depois de ela afirmar algo que estava errado, com toda a convicção?

Digo isso porque vejo muitos executivos empolgados confiando quase cegamente na sua IA para direcionar decisões, pesquisar informações e aprimorar documentos.

Não questiono a incrível potência e benefício da IA no trabalho. Mas reforço o quanto será importante, cada vez mais, desenvolver a competência de pensamento crítico e julgamento estratégico nos líderes e executivos.

Repare num detalhe: essa frase só aparece quando você desconfia. Quem não questiona nunca ouve o "você tinha razão", e o erro segue adiante, às vezes até dentro de um documento para o board.

E o contrário também acontece. Pressionada, a IA às vezes concorda com uma objeção sua que não tinha fundamento nenhum. Ou seja, quem julga o que é certo ou não continua sendo você.

O que tenho visto funcionar é tratar a IA, e os seus "agentes", como um analista brilhante e apressado: rende muito, mas tudo o que entrega passa por revisão antes de virar decisão.

Algumas dicas, da minha experiência:

🔹 Peça a origem de todo número que vai sustentar uma decisão, e confira diretamente na fonte, não no resumo dela preparado pela IA.

🔹 Antes de dar a sua opinião, peça à IA os argumentos contra a própria resposta. Depois que você se posiciona, há o risco de ela tender a concordar com você.

🔹 No texto que a IA devolveu, peça para ela separar claramente o que é fato, o que é inferência e o que é recomendação.

🔹 Antes de perguntar à IA, escreva em duas ou três linhas a sua própria hipótese. Assim você tem com o que comparar a resposta, e o seu raciocínio não fica refém do primeiro texto bem escrito que aparecer na tela.

🔹 Quando alguém do seu time trouxer uma análise feita com IA, pergunte o que foi checado e como. Não é "micromanagement": é quality assurance e risk management. Essa última prática é a que mais muda um time. Se perguntar abertamente vira hábito do líder, as pessoas aprendem que velocidade sem verificação não vale nada.

Vale a ponderação: seu time está sendo preparado e incentivado a desconfiar?

 
 
bottom of page