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Suas reuniões continuam sendo um problema?

  • há 6 dias
  • 3 min de leitura
Reuniões problema

A semana começa com a agenda já tomada. Reuniões recorrentes que se acumularam ao longo dos meses e que ninguém voltou a questionar. Uma delas existe porque sempre existiu, e isso virou justificativa suficiente.

Boa parte dos executivos que acompanho gasta mais da metade do seu tempo em reuniões, muitas das quais nem precisavam existir, outras que poderiam acontecer sem eles.

É um desperdício enorme, mas que ninguém calcula no fnal do mês. Chegou a IA, mudou a tecnologia, veio o trabalho híbrido, mas a queixa que ouço é a mesma de dez anos atrás.

Falta critério, não disciplina

A reação imediata é cortar reuniões. Mas a quantidade é só um sintoma. E há uma regra que ajuda na hora de decidir: na dúvida entre manter ou tirar uma reunião da agenda, tire. O peso de uma reunião desnecessária é sempre maior do que o de uma que faltou.

Falta o critério para decidir o que precisa ser reunião, quem precisa estar e como conduzir o que sobra. Sem ele, a agenda cresce por acumulação e só alguém de fora percebe o peso.

Vejo exemplos disso em empresas de todos os portes, estágios e segmentos.

Antes de conduzir melhor, decida o que fica

O primeiro corte é de existência. Uma reunião se justifica quando exige decisão em tempo real entre pessoas com informações diferentes, ou quando o tema pede leitura de tom e relação. Sem isso, um documento comentado ou um dashboard entregam o mesmo valor, e respeitam mais o tempo de quem recebe.

O segundo corte é sobre você. Estar em tudo desperdiça o recurso mais caro da sala. Em cada reunião que sobra, vale separar onde você decide, onde apenas acompanha, e onde alguém do seu time poderia ir no seu lugar. Esse último caso libera as suas horas e ainda desenvolve a pessoa. Reduzir a própria presença só funciona com pauta previsível e registro bem feito; combine os dois com quem conduz, antes de mexer na sua rotina.

O terceiro corte olha para o que falta. A agenda costuma transbordar de rituais operacionais e ficar vazia dos estratégicos, que são os que constroem o futuro do time. Reunião de estratégia com cadência de verdade, skip-level, retrospectiva de ciclo. Esses não nascem sozinhos. Precisam entrar na agenda de maneira intencional.

Conduzir o que ficou

Decidido o que fica, vem a condução. Alguns compromissos básicos fazem a diferença: pauta antes, com os pontos de decisão claros; só quem tem papel ativo na sala; começa e termina no horário; o tempo vai focado em decidir, não informar; toda decisão sai com dono e prazo; e a ata chega em até 24 horas. E o mais difícil de todos: quando não há pauta que justifique, cancelar e devolver o tempo ao time.

Nada disso é sofisticado ou complexo. Ainda assim, a maioria dos executivos admite que não pratica isso com consistência.

O ponto cego de quem conduz

Quem conduz uma reunião quase sempre a avalia melhor do que quem participa. Isso acontece porque o condutor vê o esforço do preparo e a intenção por trás da reunião. O participante vê o tempo que gastou e se aquilo mudou alguma coisa no trabalho dele.

Por isso a avaliação que importa não é a sua. Pergunte ao time, a cada trimestre, se as reuniões são úteis e se ele reduziria a quantidade caso pudesse. E abra a pergunta deixando claro que você vai mostrar o que ouvir e agir sobre isso. Sem esse compromisso, as respostas chegam filtradas e você calibra contra um retrato que o próprio time editou.

Uma agenda não se limpa sozinha

Nenhuma reunião tem direito adquirido na sua agenda. Elas se acumulam em silêncio, por inércia, sem que ninguém tenha decidido mantê-las. Rever isso de tempos em tempos é um ato de liderança eficaz.

O tempo que você escolhe gastar diz, melhor do que qualquer discurso, aquilo que você prioriza de verdade.

Se esse tema ressoa contigo, podemos aprofundá-lo juntos.

 
 
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